
Pain.
Quando se já está morta, a vida não importa.
O tudo transforma-se em nada.
Deseja-se sem realmente querer.
Sou um galho partido.
A flutuar sob o profundo mar,
Nunca encontro Terra.
E mesmo que a pisasse,
Não a sentiria
Por que agora sou incapaz.
Esse fascínio com a Morte
É exclusivo aos vivos
Só eles, que respiram,
A temem
Mas eu aceito-a
Por a sua presença
Neste mundo
Ser anterior à minha.
Nasci.
E pouco tempo depois,
Cá não estava.
Aprendi a andar
E logo caminhei para a Morte.
Ela era uma menina de um país em desenvolvimento.
Nascera, como muitas crianças, vermelha e rechonchuda. E também a chorar.
Mas ao contrário dessas crianças, a menina teria razões para chorar.
Essa menina cresceu com o tempo, e, juntamente com ele, aprendeu a distinguir-se dos outros. Aprendeu o bom e o mau.
Entre os bons, estavam os pais, que amavam-na. E ela também começou a amá-los ainda antes de compreender o significado dessa palavra.
Aos 6 anos, algo aconteceu. Foi quando conheceu o outro lado.
Dois anos mais tarde, voou sobre o Oceano Atlântico para outro país.
Ele era um rapaz moreno, de lindos olhos verdes. Vivia nesse outro lugar muito distante do país em desenvolvimento, tanto em espaço como em cultura.
Nesse outro país, ela procurou integrar-se, mas nunca se sentindo parte de algo. Sofreu.
Aos 14 anos, eles conheceram-se. Odiaram-se. Ela, por não o conhecer bem. Ele, porque sim.
Porém, entre palavras e ações, a amizade se formou.
Confiança total.
Proximidade.
Perfeição.
Que não durou muito.
Durante anos ela nunca o viu. Nunca se apercebeu da beleza daqueles olhos verdes. Da bondade que havia neles. Durante anos, fora cega. Até que um dia, num único instante, o viu realmente.
E amou-o.
Durante anos ele nunca a viu. E mesmo depois de ela o ver, ele não a viu.
Cego, seguiu o seu rumo, sabendo que ela tinha visto o seu interior.
A ver, ela seguiu o seu rumo, sabendo que ele não veria o seu interior.
- Elizabeth Austen.
Somos seres humanos diferentes. Nós todos.
Em primeiro lugar, no momento da fecundação, ou até antes, somos feitos diferentes.
Então, logo ao abrir dos olhos, tornamo-nos diferentes.
Eu e tu, somos seres diferentes.
Por exemplo, apaixono-me pelo verde dos teus olhos. Enquanto nos meus, só vês a cor.
É triste sermos diferentes.
Até os meus sentimentos são diferentes…
Antes era amor. Agora a dor é que me preenche.
Mas tudo bem.
Afinal, somos seres humanos diferentes.
- Elizabeth Austen.